Moral conservadora, alma neoliberal: a hegemonia da extrema direita
Após o péssimo resultado das urnas no último domingo, analistas da esquerda, ainda no dia da eleição, começaram a elaborar as mais variadas hipóteses para explicar o êxito da extrema direita. Evidentemente, lembrando o chavão historiográfico, sempre é complicado tentar compreender a realidade no “calor dos acontecimentos”. Também é fato que essa vitória eleitoral do obscurantismo não surgiu do nada; é resultado da infiltração bem-sucedida de determinadas ideias entre a população, principalmente na classe trabalhadora.
Os arquitetos ideológicos do bolsonarismo — que não são figuras estúpidas como Nikolas Ferreira ou mesmo Jair Bolsonaro — souberam captar o atual zeitgeist muito melhor do que qualquer intelectual da esquerda. Pelo menos no sentido de ação política. Ironicamente, colocaram os pensamentos de Gramsci na prática muito melhor do que o nosso campo. Ou seja, estão vencendo a guerra cultural contra a esquerda.
O primeiro ponto dessa disputa por corações e mentes (que os pensadores geopolíticos chamam de soft power) é a pauta moral. Como o brasileiro médio, em geral, é conservador, não foi difícil vencer essa batalha. Não por acaso, dois dos parlamentares da extrema direita que obtiveram o maior número de votos em São Paulo foram eleitos a partir de suas pautas conservadoras, cujo alter ego ideal são seus adversários identitários. Assim, cada vez que alguém à esquerda defende banheiro trans, em vez de focar no que realmente importa para o trabalhador, mais os Pavanatos da vida se tornam populares.
Se a batalha dos costumes é jogo ganho, o que pode explicar a adesão massiva às ideias do tipo “liberais na economia”? Como aqui é artigo de opinião, e não um trabalho acadêmico, vou me abster de........
