O debate, a democracia e nós como eleitores e espectadores
Dizem que os debates de antigamente eram melhores. Sabe por quê? Porque o debate que vimos foi feito para ter cortes de lacração e ir para o feed. Mas tem um detalhe que liga os debates de “antigamente” ao que vimos ontem: Lula estava em quase todos. Lula debateu com Brizola, Fernando Henrique, Mário Covas, José Serra e Alckmin. Enfrentou adversários preparados, discordou profundamente deles e foi confrontado sobre seus projetos.
Lula debate publicamente desde 1985, quando muitos que me leem sequer eram nascidos. Ele nunca se comportou como um moleque. Quem se comportou como moleque se chama Flávio Bolsonaro, que seguiu o modelo de outro moleque que se chama Pablo Marçal, que, por sua vez, sabe que, para o algoritmo das redes sociais e para eleitores dos Bolsonaros, tanto faz se a notícia é falsa ou não.
É importante entender a técnica do inimigo e saber que o problema atual é que a capacidade de gerar conflito pode render mais visibilidade do que a capacidade de explicar uma proposta.
Flávio, o único deputado estadual a votar contra a ampliação da licença-maternidade naquela votação de 2009 e contra a cota nos programas de esporte para mulheres no estado do Rio de Janeiro, esse Flávio não chegou despreparado para o confronto.........
