Piauí, meu primeiro choque. Térmico.
Li que a revista piauí convidou três autores a escrever sobre o que lhes vinha à cabeça ao ouvir a palavra Piauí. Enrique Vila-Matas, Lydia Davis e Mohamed Mbougar Sarr aceitaram o desafio. Produziram textos interessantes. São escritores de prestígio internacional. Mas nenhum deles dispõe de uma vantagem que considero decisiva: vir ao mundo no Piauí.
Minha primeira impressão do estado não foi propriamente literária. Foi térmica.
Durante nove meses, vivi num ambiente climatizado, com alimentação regular, ausência de contas e serviço de transporte incluído. Não pagava aluguel. Não precisava trabalhar. Era, em resumo, a melhor situação econômica que experimentei até hoje.
Até que fui despejado.
A expulsão aconteceu sem aviso prévio, sem direito a recurso e com a colaboração de profissionais da saúde. Saí indignado, berrando, como convém a quem acaba de perder um imóvel em condições tão favoráveis.
Do lado de fora, o Piauí me aguardava.
Não sei a temperatura daquele dia. Imagino que estivesse........
