Quando a burguesia tem voz, imagem e jornal
No mês decisivo da campanha eleitoral, o que se observa é uma operação de cerco promovida pela mídia tradicional contra o STF.
Mas isso vai muito além de uma operação midiática para manipulação eleitoral com o objetivo de afetar não somente a candidatura de Lula. Há muitos interesses movimentando esse processo, principalmente geopolíticos.
A verdade é que a grande mídia brasileira não pode ser tratada por grande parte da esquerda brasileira como um ente ou poder isolado. Ela não é apenas porta-voz, é parte da burguesia brasileira.
Bilionários da indústria e do agronegócio, igrejas evangélicas, bancos e fundos de investimentos – leia-se: Faria Lima – são proprietários de conglomerados de comunicação até simples portais de notícias.
A Folha da “maquininha”
A ligação mais clara e estreita é a do empresário Luiz Frias, que controla tanto o Grupo Folha (jornal Folha de S.Paulo e portal UOL) quanto a empresa que deu origem ao PagBank.
Criado em 2006 dentro do ecossistema do UOL (sob o antigo nome de PagSeguro), o PagBank tornou-se a joia da coroa financeira do grupo. O banco digital abriu capital na Bolsa de Nova York (NYSE), mas continua sob forte controle de Luiz Frias.
Por intermédio do UOL/Grupo Folha, a holding detém cerca de 45,3% do capital total do banco, mantendo 100% das ações de classe B (com direito a voto). E é o banco que atualmente financia e dá sustentabilidade à gigantesca estrutura de tecnologia e jornalismo da empresa.
O pulo do gato do grupo Folha ocorreu em 1996, com a criação do Universo Online (UOL). Originalmente um provedor de internet, o UOL tornou-se o maior portal de conteúdo em língua portuguesa do mundo e uma potência tecnológica independente da versão impressa do jornal.
Quando dívidas viram um bom negócio
Se não diretamente, os tradicionais veículos da grande mídia brasileira recebem grandes aportes do sistema financeiro como no caso do grupo Estadão que é controlado pela família Mesquita, de São Paulo.
Por conta da grande dívida, o Estadão lançou debêntures no mercado para capitalização de recursos. Assim, bancos como Itaú, Bradesco e Santander Brasil injetaram dezenas de milhões de reais comprando papéis da dívida do grupo. Além disso, fundos de investimento ligados a empresas, como a Galapagos Capital, passaram a ter assento no conselho da empresa.
A reestruturação financeira da empresa foi liquidada por meio de duas emissões de debêntures que, somadas, levantaram R$ 142,5........
