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A IA está a substituir os consultores?

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06.07.2026

Nos últimos meses, têm surgido notícias incómodas para o setor da consultoria.

Empresas cobram centenas de milhares de euros por relatórios estratégicos, alguns dos quais produzidos com recurso intensivo a ferramentas de Inteligência Artificial. Em alguns casos, com erros relevantes, recomendações frágeis e impactos financeiros e reputacionais significativos para os consultores que os produziram.

A reação de indignação foi imediata.

Mas talvez a pergunta mais honesta seja outra. Será que isto é assim tão diferente do que já acontecia?

A consultoria sempre foi (também) uma escola - das melhores escolas

Durante décadas, o modelo de consultoria assentou numa lógica relativamente simples: equipas com uma forte componente de consultores juniores – recém-formados, com pouca ou nenhuma experiência – que fazem o trabalho analítico, que depois é revisto por consultores seniores. São os profissionais com menos experiência, que constroem modelos, analisam dados, pesquisam benchmarks, estruturam apresentações e produzem grandes partes dos relatórios.

E, inevitavelmente, cometem erros. Não por falta de competência, mas por falta de experiência – algo natural numa fase inicial de carreira. O sistema sempre funcionou assim porque tem um lado virtuoso: é neste processo que os consultores aprendem. É aqui que desenvolvem pensamento crítico, capacidade de análise, sentido de estrutura e, sobretudo, a capacidade de fazer as perguntas certas.

Ou seja, aquilo que mais tarde vai diferenciar um bom consultor sénior.

Se este era – e é – o modelo, importa perguntar: o que muda realmente com a chegada da IA?

A IA não substitui consultores – substitui tarefas

A Inteligência Artificial veio acelerar aquilo que........

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