A IA está a substituir os consultores?
Nos últimos meses, têm surgido notícias incómodas para o setor da consultoria.
Empresas cobram centenas de milhares de euros por relatórios estratégicos, alguns dos quais produzidos com recurso intensivo a ferramentas de Inteligência Artificial. Em alguns casos, com erros relevantes, recomendações frágeis e impactos financeiros e reputacionais significativos para os consultores que os produziram.
A reação de indignação foi imediata.
Mas talvez a pergunta mais honesta seja outra. Será que isto é assim tão diferente do que já acontecia?
A consultoria sempre foi (também) uma escola - das melhores escolas
Durante décadas, o modelo de consultoria assentou numa lógica relativamente simples: equipas com uma forte componente de consultores juniores – recém-formados, com pouca ou nenhuma experiência – que fazem o trabalho analítico, que depois é revisto por consultores seniores. São os profissionais com menos experiência, que constroem modelos, analisam dados, pesquisam benchmarks, estruturam apresentações e produzem grandes partes dos relatórios.
E, inevitavelmente, cometem erros. Não por falta de competência, mas por falta de experiência – algo natural numa fase inicial de carreira. O sistema sempre funcionou assim porque tem um lado virtuoso: é neste processo que os consultores aprendem. É aqui que desenvolvem pensamento crítico, capacidade de análise, sentido de estrutura e, sobretudo, a capacidade de fazer as perguntas certas.
Ou seja, aquilo que mais tarde vai diferenciar um bom consultor sénior.
Se este era – e é – o modelo, importa perguntar: o que muda realmente com a chegada da IA?
A IA não substitui consultores – substitui tarefas
A Inteligência Artificial veio acelerar aquilo que........
