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​Vinicius, Mourinho e o diabo que vive na linguagem

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23.02.2026

Há uns tempos, num jogo de futebol jovem, ouviu-se assim: “Um preto de luvas? Só nas obras”. A velhinha teoria de que não pode haver guarda-redes negros contra-atacava, reciclada de geração em geração por cá, talvez iniciada lá longe, no Brasil, com Barbosa, a vítima maior do ‘Maracanazo’ em 1950. Falta saber se foi uma importação. A violência da frase é quase inverosímil. Lembrei-me dela por causa do Benfica-Real Madrid.

Cedo se percebeu que o que definiria o caso Vinicius-Prestianni não seria o insulto em si, que não se pode verificar porque o argentino tapou a boca com a camisola (porque mentiria o brasileiro?) e ainda existe a presunção de inocência, mas a forma como o Benfica e a comunidade desportiva iam tratar a questão.

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Se o desaparecimento de Rui Costa e a reação do clube (através de um vídeo que supostamente iliba o seu atleta e de um comunicado) são desapontantes, não restam muitas dúvidas de que a grande pancada na reputação do Benfica surgiu depois das palavras de José Mourinho.

O treinador colou a celebração do golo do jogador do Real Madrid ao episódio e usou a cartada de Eusébio, como se os benfiquistas ou os seus funcionários estivessem todos absolvidos à partida porque o seu deus é um negro. E o que sabemos nós, já agora, sobre o que sofreu Eusébio enquanto maravilhava o povo?, notou Vincent Kompany, treinador do Bayern Munique, a certa altura........

© Renascença