Editorial: Pátria
José Júlio Cruz - 26/03/2026 - 9:04
"A minha pátria é a língua portuguesa" é muito mais do que uma simples frase, é uma expressão que se imortalizou a partir de um dos nossos maiores, Fernando Pessoa, escrita pelo seu heterónimo Bernardo Soares no «Livro do Desassossego». Vem isto a propósito de mais um feito do nosso atletismo no passado fim de semana, quando três jovens atletas portugueses arrecadaram outras tantas medalhas, nada mais do que duas de ouro e uma de prata num campeonato do mundo. Nunca Portugal subiu tão alto no «medalhário». Agate, Baldé e Nader (os dois primeiros a estrearem-se) inscrevem assim o nome na história do nosso desporto em letras garrafais. É deles o mérito, como de toda a estrutura envolvente que os carregou até este patamar. Isso mesmo destacou o nosso Presidente da República na hora de os condecorar, realçando também o contexto e a origem humilde dos três que não os impediu de chegar ao topo, servindo de exemplo a milhões de outros jovens. Foi assim também no tempo de Eusébio e de outros que agora aqui me dispenso de lembrar. À época filhos da diáspora, hoje fruto de uma vida migrante em busca de melhores condições de vida. Não devia ser preciso vir aqui frisar a relevância destes portugueses de primeira numa altura em que a bandeira lusa sobe ao mais alto dos píncaros num mundial. Mas, infelizmente, nos tempos que correm é mais importante do que nunca que o façamos porque, por incrível que pareça, há quem duvide da sua portugalidade. É no mínimo triste. São Tomé e Príncipe, Albufeira e Faro são lugares-comuns a muitos cidadãos nacionais e foi precisamente aí que nasceram estas três enormes estrelas do atletismo mundial. Que nunca lhes falte a força, a determinação e a coragem para continuarem a carregar a bandeira de todos nós. E a servirem de exemplo.
