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Editorial: Comboios

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19.03.2026

José Júlio Cruz - 19/03/2026 - 9:03

A máquina mais afinada do Estado é como toda a gente sabe a das Finanças. Parece que ali as coisas não saem dos carris e tudo flui. É nela que os portugueses se reveem como verdadeiramente iguais.

Paradoxalmente, em termos dos comboios não é bem assim. Descarrila o serviço. É o caso da nossa Linha da Beira Baixa, onde, fruto das intempéries, os carris têm dado passo ao asfalto no que ao serviço Intercidades diz respeito e neste momento o transbordo em autocarro é o que une Abrantes – Vila Velha de Ródão – Castelo Branco – Fundão – Covilhã e Guarda (e vice-versa), não se percebendo as razões por que Belmonte ficou de fora.

Agora pasme-se! Se a ligação Abrantes – Ródão está obstruída resultado do mau tempo, daí para cima, entenda-se até à Guarda, nada justifica que o serviço Intercidades não se efetue. A própria Infraestruturas de Portugal já confirmou que a linha está operacional. A CP não explica porque é que não efetua o serviço. Os utentes são brindados pelo serviço Regional que, convenhamos, está muito longe de ser o ideal.

E bem podemos vociferar que pagamos impostos como os outros, mas cá continuamos a sofrer do estigma deste interior que, por mais primeiros-ministros e presidentes que produza, continua esquecido e abandonado.

Por cá, autarquias, associações e o tão massacrado povo têm protestado, sem que da empresa que opera o serviço ou do Terreiro do Paço se tenha recebido sequer troco. Fosse o serviço na linha de Sintra ou de Cascais que estivesse afetado e logo se levantaria a turba contra a gritante injustiça.


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