Retratos: Pouca terra
Retratos: Pouca terra
JC - 12/03/2026 - 9:00
Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, nem acredita na notícia que acabara de ler: a linha do pouca-terra vai estar encerrada durante seis meses. - “Esta é a gota de água e os burguenses devem manifestar-se contra esta e outras iniciativas que nos vão transformar numa reserva para visitas futuras”, referia o líder da BR, momentos antes de assistir à peça de teatro sobre o fundador do Museu do Burgo. - “Fazem-nos falta homens como esse!”, acrescentou Godofredo, secretário-geral da BR, enquanto recordava o percurso de um dos grandes arqueólogos do Burgo, mas que tem sido pouco reconhecido. - “A autovia entre a Kapital e o Douro foi arranjada numa semana, a nossa linha do comboio demora seis meses. O Governo chuta para cima e mete o líder do Laranjal na Área Metropolitana do Burgo a fazer de porta-voz. Ele que no passado, em vésperas eleitorais, anunciou coisas que depois não se concretizaram. A empresa estatal dos pouca-terra não diz nada”, criticou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR. - “Como estamos aqui para o fim do mundo - e há gente na Kapital que até pensa que somos extras-terrestres - a linha que se dane. Ninguém quer saber de nós. É na educação, é na saúde, no ambiente - até nos querem impor um mega parque solário que vai dar cabo de 200 sobreiros – e na agricultura. São só ajudas morais e desajudas no concreto”, acrescentou Jeremias. - “O que me cheira é que se ninguém fizer barulho, vamos deixar de ter comboios, de ter urgências hospitalares e diferentes especialidades, pouca produção agrícola e menos ensino superior”, concluiu Godofredo, enquanto olhava, com dó, para a destruição que a tempestade provocou no parque industrial do Burgo e na zona de lazer, onde pouco ou nada foi feito para repor as coisas na ordem...
