Rituais de travessia
Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Sem me lembrar de quando cheguei a Portugal, dou-me conta de que se anuncia o momento de cruzar um novo ritual de travessia: um pedaço de plástico com uma data de expiração recorda-me da fragilidade da minha permanência neste território. Sempre me pergunto o que vim fazer cá, deste lado da “poça”. Do oceano. Do continente. Antigamente, “do outro lado da poça” era sobre cruzar a Baía de Guanabara de uma das pontas do eixo Rio–Niterói. Agora é sobre todo o Atlântico.
As distâncias brasileiras dão conta de quilometragens que cruzam países europeus inteiros dentro do espaço equivalente a uma única região do nosso país continental. Eu demorava pelo menos seis horas para sair do meu estado e parar no vizinho mais próximo: São Paulo, já um quase primo. Hoje, em quase seis horas, eu cruzo o país inteiro, e o quase primo está a pouco mais de três horas do Porto e chama-se Lisboa.
Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique aqui.
Para quem vem do Brasil, levar menos de um dia para cruzar um país é algo quase tão absurdo quanto ainda ver a luz do sol quase às nove da noite, o que é outro ritual de travessia quando chega o verão por cá. Ainda sobre as perspectivas de distâncias, lembro-me de uma das primeiras viagens que fiz no ano em que me tornei........
