O não carnaval de Torres Vedras e os bastidores invisíveis da folia
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Chego em Torres Vedras pela manhã. As ruas estão vazias. Nas vitrines das lojas, a decoração de carnaval é tão presente que, até olhá-las de frente, pensei que eram todas lojas de disfarces. Entro em uma das lojas para ver os artigos carnavalescos que estão à venda e que coexistem com a montra de uma tabacaria. As atendentes me recebem com cortesia, mas há algo de triste na atmosfera entre elas. Estranho o tom de tristeza para uma sexta-feira de carnaval. Pergunto-lhes e, enfim, encontro o diagnóstico: o motivo do pesar é o luto da folia.
A cidade de Torres Vedras, mais ao norte do distrito de Lisboa, é tradicionalmente um epicentro do carnaval português. Há desfiles, matrafonas, cabeçudos e Zés Pereiras, além de seus reis e rainhas. No último ano, recebeu cerca de 500 mil foliões e anualmente movimenta cerca de 9 milhões de euros na economia local. Entretanto, o castigo das chuvas deu lugar ao silêncio em vez da festa. Torres Vedras não têm o seu carnaval cancelado desde 2021, quando foi suspenso devido à pandemia. Certamente não deve ter sido fácil a tomada de decisão para o seu cancelamento no ano em que estamos (ou suspensão, já que um carnaval fora de época viria a calhar).
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