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Os manifestantes têm razão?

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27.10.2026

Os manifestantes pelo direito à habitação têm razão ao queixarem-se de uma carga policial desproporcionada, que os arrasta pelas praças como se de criminosos se tratassem, agitando o fantasma da desobediência e ignorando clamorosamente o direito à manifestação? Sim, claro que sim.

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Não faltou quem recordasse manifestações e acampadas anteriores, como as dos taxistas, em 2018, dos empresários da restauração, em 2020, dos professores, em 2023 ou dos bombeiros, em 2024. Nestes casos, perante situações semelhantes, da polícia não vimos violência e dos políticos não ouvimos frases implacavelmente incendiárias.

As nossas praças não servem apenas para transitar, para montar feirinhas de hortícolas, para comícios em tempos de eleições ou para pendurar enfeites de Natal. Servem para isto mesmo, para que as pessoas se possam juntar e manifestar. Impedi-lo é subverter o que de público há nesses espaços.

Têm razão ao reivindicar medidas concretas para combater a crise da habitação? Sem dúvida. Em Portugal, entre 2015 e 2025, enquanto os salários cresceram pouco mais de 40%, o preço das casas subiu 180% (a segunda maior subida na União Europeia). Este desfasamento põe a nu o brutal agravamento da dificuldade no acesso à habitação.

E têm razão nas reivindicações concretas que apresentam? Neste caso, diria que precisamos de uma análise mais fina. Segundo a agência Lusa e os comunicados das acampadas do Porto e de Lisboa pela habitação, os movimentos promotores apresentam seis reivindicações principais: a reversão da “lei do arrendamento”, o fim dos despejos de pessoas sem habitação alternativa, o bloqueio à aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, uma iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins........

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