Lítio, urgência e território: a pressa como política pública
Portugal mais uma vez declara que vai avançar sobre um território em nome de um interesse nacional apresentado como inevitável. O vocabulário muda – agora é a transição energética, matérias-primas críticas, urgência climática –, mas a lógica mantém-se intacta. Tudo soa técnico, moralmente correto, fora de discussão.
O Governo promete sustentabilidade, aceitação social e benefícios locais. Já ouvimos este discurso com o eucalipto, com as barragens, com projetos energéticos mal implantados, com a mineração de outros tempos. A promessa repete-se, a história também: quando a pressão económica aperta, é o território que cede primeiro.
O lítio tornou-se o metal fetiche do século XXI. Sem ele não há baterias, nem carros elétricos, nem futuro limpo. Mas estratégico não significa sustentável. A sua extração é sempre violenta: abre solos, consome água, desloca impactos. Não existe lítio verde. Existe apenas um mapa........
