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Movimento antitransgénero: uma intervenção externa em Portugal

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23.10.2026

O movimento antitransgénero em Portugal não é originário deste país.

Pelo contrário, começou como uma operação deliberada de um grupo sediado no Reino Unido e nos EUA, que procurou comprometer a legislação portuguesa em vigor.

A "Genspect" é uma organização antitransgénero reconhecida como um grupo de ódio pelo respeitado observatório dos direitos civis dos EUA, o Southern Poverty Law Center — designação que partilha com o Ku Klux Klan e com outros grupos neonazis.

Em 2024, a Genspect realizou a sua conferência "internacional" em Lisboa. Esta conferência não contou com um único orador convidado português. Foi realizada inteiramente em inglês. "Tanto quanto pude perceber, eu era a única pessoa portuguesa presente", observou uma jornalista.

No seu site oficial, a Genspect escreveu abertamente que Lisboa foi escolhida porque os portugueses mantinham uma sociedade livre e tinham leis sólidas que protegiam as liberdades dos seus cidadãos. Por este motivo, escreveu a Genspect, estavam a visar Portugal como um teste-piloto para exportar a sua marca de intolerância para a Europa.

Como as leis de proteção das pessoas trans não causaram quaisquer problemas aqui, o primeiro passo, conforme escreveram, seria sensibilizar os portugueses para esta "ameaça".

No entanto, isso revelou-se difícil. Em julho de 2026, uma portuguesa que assinou como Francisca Silva, aparentemente a única agente local da Genspect em Portugal, apresentou um relatório: na verdade, escreveu ela, considerava difícil conseguir que outros portugueses se interessassem pela sua agenda.

"Durante anos, um pequeno grupo de pessoas tentou resistir à institucionalização de [direitos e proteções das pessoas trans]", escreveu. "Sem sucesso."

E prosseguia: "A esmagadora maioria dos portugueses nunca foram confrontados com o significado e as implicações da autodeterminação legal da identidade de género", escreveu Silva, aparentemente sem reconhecer que a autodeterminação da identidade de género não representou um perigo real para a sociedade portuguesa.

E é........

© PÚBLICO