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Um Parlamento em nada europeu

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Escolhe-se, entre várias possibilidades, a mais incompreensível e aterrorizante: oficializar a confusão dos instrumentos políticos, ideológicos e policiais como sendo uma única coisa. E, com isso, o Parlamento Europeu, dominado por uma maioria extremista, faz do bloco um espaço perigoso para refugiados e imigrantes que, sem terem como permanecer em seus países, buscam, nele, ajuda, liberdade, oportunidade e futuro.

Essas pessoas não serão mais protegidas de abusos, pois as leis e a Justiça não precisam mais lhes servir. Assim como não serão protegidas as crianças, agora que são potenciais perigos. O que se confirmou no Parlamento não é o fim do projeto europeu, como foi dito e escrito no imediato da votação. Isso, em si, seria desastroso o suficiente. Mas o que se busca não é mais o fim. Os interesses mudaram de foco. Dezessete de junho de 2026 ficará marcado como o momento em que o projeto foi dominado pela bancada extremista com apoio dos conservadores.

Os eurodeputados que votaram por acelerar e simplificar a expulsão de pessoas, pela criação de “centros de regresso” em países não europeus (mero eufemismo para campos de concentração), invasão de casa, deportação forçada, separação de familiares e isolamento por tempo indeterminado, entre outras violências, esses representantes políticos foram eleitos para realizarem exatamente essas propostas.

Prometeram mudar as regras e conseguiram. O que significa perceber que o bloco europeu, até então desenhado para ser uma comunidade humanista formalizada por alianças diversas, já não é exatamente assim. Tornou-se um Parlamento em nada europeu. Afinal, os extremistas e os que a eles se uniram foram escolhidos por simpatizantes ideológicos e por quem não se importou que algo tão tenebroso viesse a acontecer.

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