Os artistas são interessantes aos políticos, mas não à política
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No palco, artistas brasileiros se reúnem para fortalecer a campanha de reeleição da atual presidência da República. “Por que você não diz o nome?”, alguns me questionarão. Antecipo-me. Para explicitar algo, parece-me, mais profundo: não se trata apenas de um apoio a Lula, ao Partido dos Trabalhadores ou à esquerda democrática, mas de uma ação que teme as consequências, se o país for entregue outra vez aos interesses dos conservadores, dos radicais, dos extremistas e à submissão dos Estados Unidos, que, a meu ver, deixaram de ser “a maior democracia do planeta” para se constituírem numa autocracia conduzida por um déspota neocolonizador. Sim, são muitos conceitos em uma definição, seu sei. As eleições estão mesmo próximas, os perigos são imenso. Nem por isso devemos perder a capacidade crítica de olhar para dentro e fora do palco.
O movimento dos artistas ganhou outra qualidade nas últimas semanas, nessa eleição estranha, em que o governo atual pouco fez para demonstrar seus acertos, discutir suas falhas, corrigir seus erros, explicar seus limites, apresentar propostas para um próximo programa, quais continuidades conduzirá e desconstruir ideias estapafúrdias de seus oponentes. Parecia apenas que os candidatos da direita estavam em campanha nas ruas, enquanto, perdidos, assistimos ao esfacelamento do Supremo Tribunal Federal (STF), mergulhado na fase mais vergonhosa de sua história.
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A campanha de Lula corre contra o tempo e em busca de lucidez e sorte. Um dia teremos de nos perguntar por que escolheram essas estratégias. E por que chegamos, em 2026, com diversos candidatos da direita e da direita radical e nenhum outro do campo progressista. Nem me proponho mais a desvendar a ausência de renovação da esquerda.
Havia, até então, um gesto tímido por parte dos artistas. E, se não foram, as propostas de um novo plano de governo que os trouxeram de volta à arena política, é evidente a transformação vir dos alertas trazidos........
