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O monstro sobe na cama

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05.08.2026

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Uma criança no quarto. Nada demais. Cresci entre meus brinquedos e jogos. Sempre preferi estar comigo mesmo, mais do que com outras crianças. Era tímido demais, envergonhado demais, aborrecido demais. Preferia sair do quarto para conversar com os adultos. Lia os jornais impressos durante o dia, depois de meu pai os ler, e achava possível conversar com os adultos. As crianças criavam jogos e brincadeiras no quintal; eu me sentava à mesa e divertia a todos com minha pretensão de saber algo da vida. Isso, pelo que me lembro, desde os cinco anos.

Mas essa história não é tão simples: falo de uma criança autista no quarto. Já mais velho, pude conviver com minha prima. Autista, judoca, aquela menina, hoje uma mulher, era divertida, inteligente e gentil. Na sala do apartamento da minha tia, junto a ela e à irmã mais velha, por vezes também com minha mãe e Patrícia, passei bons momentos entre risos. Nunca seus olhos mentiam. Havia um olhar verdadeiro que aprendi a compreender. A pequena prima ensinou-me os limites de sua condição, enquanto tinha paciência para me mostrar como eu deveria ser e agir ao seu lado.

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Há ainda mais: uma criança autista, em seu quarto, durante uma festa para poucos familiares e amigos próximos. O roteiro de terror completo é este: o homem, com cerca de 50 anos, é flagrado nu com a criança nua, portanto, visto de forma irrefutável, a abusar daquela que gritava de dor e, provavelmente, de medo. Flagrado pela mãe da criança. Preso em outro quarto pelos amigos e parentes, à espera da polícia.

A notícia, dessa vez (porque não é novidade isso ocorrer), vem a público por não ser um mero anônimo. Ele, ator, conhecido em séries televisivas e comerciais, tem o perfil........

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