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Economia, teatro, arquitetura ou ecologia?

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28.04.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Alguns movimentos ou projetos começam com coisas pequenas, quase banais, enquanto nos acostumamos com a sutileza das transformações. Por exemplo, as palavras que nos são dadas a ouvir e conduzem nossa assimilação de conceitos, ideias e, por fim, a compreensão do mundo. Nas últimas décadas, acostumamo-nos a ler a palavra economia agrupada em múltiplos contextos. Economia da atenção, economia verde, economia circular, economia digital, economia solidária, economia da cultura, economia do conhecimento, economia dos afetos, economia do cuidado, economia da felicidade. Surgem novas variações a cada dia, e a lista acaba por se revelar interminável.O sentido nessas combinações é agregar valor pelo termo associado. Não qualquer valor. Serve para demonstrar como comportamentos e escolhas podem contribuir para o desenvolvimento social. Obviamente, a ideia de sociedade é específica: o ambiente comum disponível ao crescimento contínuo ditado pelo neoliberalismo, em que apenas o seguir adiante ininterrupto é justificável e importa.

O problema nesse raciocínio é o crescimento só ser viável pela acumulação. Pois somente com mais recursos e poder em mãos, o indivíduo pode desenvolver meios de se relacionar e participar de forma responsável com a comunidade. Bom, poucos argumentos conseguem ser menos coerentes do que esse. Mas, ao ser repetido à exaustão, consolidou a economia "qualquer coisa" como inquestionável.

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Quando olhamos com cuidado, vemos esse recurso retórico, essa valoração de tudo, não ser o início. Trata-se de uma estratégia reativa ao modo como o vocábulo economia foi associado no início do século passado, a partir de sentidos nada positivos. Economia da guerra, economia do medo, economia da vigilância, economia da exclusão, entre outros. Desde então, tornou-se........

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