Honra e louvor à coragem de José Pacheco Pereira
Há cerca de 20 anos, convivi com o professor José Mattoso em Timor-Leste. Por esses dias, escrevi um ensaio em que, tangencialmente, abordava um assunto que se prendia com matéria em que ele era mestre incontestável. Pedi então ao ilustre académico que lesse e comentasse o meu texto. Dias depois, voltámos a encontrar-nos, e ele vinha com uma inquietação: quem é X, que você cita e não conheço? Respondi, candidamente: o professor sabe que a sua área de especialização não é a minha praia, o livro de X que cito é um volume que pude ler aqui. Reconheço que parece fruto de algum “amador esclarecido”, já que o nome dele soa mais alto noutras paragens. E disse o nome do autor. Resposta imediata: isso não pode ser considerado bibliografia séria para um ensaio académico. Agradeci, referi que iria rever essa passagem, e depois pedi um novo favor: poderia indicar-me uma recensão académica de tal livro, cuja tiragem atingia largas dezenas de milhares de exemplares? Contristado, Mattoso exclamou: o problema é mesmo esse – ninguém se atreveu!
O desafio de José Pacheco Pereira a André Ventura tem semelhanças com o episódio que acabo de narrar. De um lado, teríamos um historiador comprometido em assentar as suas afirmações em evidências – escritas, orais, vídeos, objectos variados, tudo o que se usa em História Contemporânea; do outro, deveria ter havido quem honrasse os termos do desafio que aceitara, e pautasse a defesa........
