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Doença de Alzheimer: a diferença entre ter a doença e estar doente

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08.04.2026

A investigação científica em Doença de Alzheimer tem produzido importantes avanços. Especificamente, as análises ao sangue (também chamadas de biomarcadores sanguíneos) que permitem o doseamento de proteínas que se correlacionam com as alterações cerebrais que definem a doença são muito promissoras. Contudo, a interpretação destas análises é profundamente contextual, e há um grande potencial para equívocos e sobrediagnóstico que é oportuno clarificar.

Em primeiro lugar, importa dizer que o termo demência refere-se a uma situação clínica de deterioração cognitiva, na qual a pessoa perde progressivamente autonomia. A demência tem várias causas, a principal das quais sendo a Doença de Alzheimer. Trata-se de um dos maiores desafios pessoais e sociais do mundo ocidental (estimando-se que, em Portugal, em 2050, cerca de 368.000 pessoas possam ter alguma forma de demência). Não é demais sublinhar que todos os esforços devem ser envidados para oferecer um diagnóstico preciso e a melhor terapêutica disponível aos doentes (que inclui tratamentos novos recentemente aprovados pela Comissão Europeia, ainda não comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde). Assim, todos os avanços científicos que facilitem o acesso ao diagnóstico e tratamento são bem-vindos.

A maior parte das pessoas afetadas apresenta dificuldades de memória. Se, no cérebro destas pessoas, estiverem presentes determinadas alterações (placas amilóides e tranças neurofibrilares), é possível diagnosticar a pessoa como tendo........

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