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O caso do cão Orelha, brutalmente agredido por adolescentes no Brasil

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30.01.2026

O caso do cão Orelha, brutalmente agredido por um grupo de adolescentes no Brasil, atravessou fronteiras e chegou também a Portugal. A indignação foi imediata e quase unânime. É compreensível. Há actos que nos confrontam com uma violência tão crua que parecem desafiar qualquer tentativa de explicação. Para lá do choque e da repulsa que os detalhes deste e de casos semelhantes nos causam, é importante reflectir igualmente sobre o contexto que os torna possíveis, bem como sobre a facilidade com que nos apressamos a tratá-los como excepções monstruosas, desligadas de tudo o resto.

Dou-vos uma notícia: não são.

No Brasil, discute-se a inimputabilidade penal dos agressores, por serem menores. A discussão jurídica é legítima. Mas há outra forma de inimputabilidade que raramente é interrogada: a inimputabilidade social. A ideia confortável de que a violência contra animais surge do nada, sem raízes culturais, sem aprendizagem prévia, sem normalização quotidiana.

Quando jovens infligem sofrimento deliberado a um animal, a pergunta não pode limitar-se a “como foram........

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