E se um bar queer nos acolher a todos?
Nos tempos conturbados que vivemos, talvez a esperança não se encontre na luz, mas em espaços complexos, caracterizados pela coexistência de contrários. A alvorada é um desses momentos: em lugar da linearidade dos opostos noite e dia, trata-se de um instante fugaz no qual o que resta da noite se funde com o início do dia, quando a madrugada se desfaz.
Pode causar alguma estranheza, a este propósito, escrever sobre uma exposição performativa que é assumidamente uma reflexão sobre as margens — e ver nela um significado que se expande para além do cultural. Mas Dawn, a mais recente exposição da dupla João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, tem várias virtudes e apresenta um significado político, para muitos inesperado: mais vasto, sobre os nossos tempos, mas também sobre os desafios para a política cultural portuguesa, invariavelmente animada por micropolémicas, por definição improdutivas.
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