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Quantas caras tem a Europa?

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12.03.2026

Numa audiência perante 145 embaixadores acreditados em Bruxelas, Ursula von der Leyen defendeu que a União Europeia (UE) “não pode continuar a exercer a custódia da ordem internacional, porque esta ordem deixou de existir e não é previsível que venha a ser restabelecida”. Impõe-se uma alteração na política externa da UE, orientada pelo pragmatismo, para dar prioridade aos interesses da Europa. Já António Costa, discursando para a mesma audiência, advertiu que a UE deve continuar a ser o garante do multilateralismo e do respeito pelo Direito Internacional. Nas palavras do presidente do Conselho Europeu, “é do nosso interesse que a ordem internacional continue baseada em regras e na cooperação”.

Pode causar apreensão que as palavras de dois presidentes de importantes instituições da UE apontem em sentidos opostos quanto ao papel da União na ordem internacional, sobretudo por terem sido proferidas com a diferença de 24 horas. Von de Leyen discursou na segunda-feira (9 de março) e Costa na terça-feira. Fizeram-no no mesmo evento, destinado aos embaixadores de países com representações diplomáticas perante a UE. Mas não, este não é um caso típico de “para que número de telefone vou ligar?”.

Não se podem escamotear as diferenças nos discursos. Von der Leyen assume uma posição realista. A ordem internacional mudou com o aumento da beligerância, a desvalorização da cooperação, a despromoção de organizações internacionais que cedem perante ações unilaterais ou acordos bilaterais que excluem os demais países. Tudo sob um pano de fundo feito de lideranças que ensimesmam os interesses dos países e moldam a........

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