O trabalho mudou. E agora? Outra greve?
O direito do trabalho em Portugal estruturou-se em torno da ideia central de proteger o trabalhador através da estabilidade do vínculo e da regulação coletiva das relações laborais. Com algumas tentativas ainda no século XIX, é a lei das oito horas, de 1919, que marca definitivamente esta lógica. Evoluindo ao longo do século XX, o modelo consolidou-se na Constituição de 1976, num quadro político de forte valorização dos direitos sociais, privilegiando a estabilidade dos postos de trabalho e dos respetivos contratos, o que se mantém nos dias de hoje ainda que com algumas adaptações introduzidas pela integração europeia e pelas crises económicas.
Mas os tempos mudaram.
Nos anos 1970, a ideia era simples: entrar para uma instituição e construir a carreira que acabaria na reforma ao fim de alguns anos. Hoje, de forma realista, poucos entrarão no mercado de trabalho com esta expectativa. A mobilidade tornou-se regra. A alternância entre setores, funções e regimes, mais do que possível, tornou-se desejável.
Apesar disso, continuamos a organizar o trabalho como se nada tivesse mudado. O resultado........
