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Portugal deixou de ser destino final. Tornou-se plataforma

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02.03.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Por muito tempo, a relação econômica entre Brasil e Portugal foi vendida como “cheia de potencial.” Hoje, essa formulação simplesmente soa pequena, pois o que se tem visto, na prática, é uma mudança de postura das empresas brasileiras: Portugal não é mais um mercado de chegada. É um mercado de partida para a Europa.

É importante frisar que a mudança de postura aqui não é baseada em afinidades históricas ou discursos institucionais, mas em cálculos econômicos. Num mundo mais fragmentado, com regras mais voláteis e um risco maior de tomadas de posições regulatórias imprevisíveis, as decisões de internacionalização tornaram-se muito mais pragmáticas. E Portugal é uma escolha lógica para esse novo cálculo.

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Via Portugal, uma empresa brasileira consegue acessar imediatamente o consumidor europeu que opera em um ambiente jurídico previsível, tem uma infraestrutura logística eficiente e, especialmente, opera numa cultura de negócios em que a afinidade cultural reduz as fricções reais do dia a dia.

Esses fatores, muitas vezes tratados como “intangíveis” em análises superficiais, fazem grande diferença quando se trata de posições financeiras robusta em termos de tempo, capital e pessoas.

Com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrando em vigor, decisões estratégicas se tornam necessárias. Ninguém espera o texto final para tatear posições. O investimento brasileiro cresce em tecnologia, serviços, energia e saúde; porque Portugal deixa de ser finalidade para tornar-se plataforma operacional.

E isso é um excelente sinal de amadurecimento da relação entre os dois países: menos retórica, mais ação. Menos promessa, mais estratégia. Quem entendeu isso logo saiu na frente. Quem ainda vê Portugal como destino final, corre o risco de perder o jogo.


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