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O Irão e a velha utilidade do terrorismo

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29.03.2026

Os regimes não se tornam moderados quando ficam sob pressão. Tornam-se mais calculistas. E, no caso da República Islâmica do Irão, esse cálculo tem uma longa tradição: quando o custo da confrontação aberta sobe, cresce a tentação da ação indireta, negável e assimétrica. Por isso, a questão não é saber se Teerão poderia recorrer ao terrorismo como resposta ao conflito atual. Poderia, naturalmente. A questão séria é outra, até que ponto essa opção lhe é útil no quadro presente.

Convém começar por desfazer um equívoco confortável. Se o Irão recorrer ao terrorismo, não estaremos perante uma rutura estratégica, um gesto de desespero súbito ou até uma anomalia de percurso. Estaremos, isso sim, perante uma adaptação de métodos antigos a circunstâncias novas. A República Islâmica construiu, desde 1979, uma prática consistente de projeção extraterritorial que combina ideologia, repressão e ambiguidade operacional. O terrorismo, neste contexto, não aparece como exceção ao sistema. Faz parte do mesmo.

É precisamente por isso que a discussão tende a ser toldada por um erro de perspetiva europeu. Durante demasiado tempo, insistiu-se em tratar a violência iraniana fora das suas fronteiras como uma excentricidade regional, uma nota de rodapé do Médio Oriente ou uma matéria demasiado sensível para ser nomeada com clareza. O........

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