Da “nossa Europa” ao “mundo de não existência” em Gaza
O silêncio é um verdadeiro crime contra a humanidade.
Nadejda Mandelstam (Saratov,1899-Moscovo,1980)
Os fortes não podem fazer o que querem, e os fracos sofrer o que têm de sofrer.
Mark Carney, Primeiro-ministro, canadiano, em Davos, 2026
Estou a terminar a leitura de Contra toda a Esperança (1970), de Nadejda Mandelstam, mulher do poeta russo, e também judeu, Ossip Mandelstam (Varsóvia, 1891-Sibéria, 1938) que, em poema, glorificou a Revolução de 1917, tendo morrido, no entanto, num campo de prisioneiros, por, entre outras coisas, ter escrito um epigrama de três quadras sobre Estaline, de que transcrevo a primeira: “Vivemos sem sentir o chão nos pés,/ A dez passos não se ouve a nossa voz./ Uma palavra a mais e o montanhês/ Do Kremlin vem: chegou a nossa vez.”
É muito expressiva e elucidativa a escolha que Nadejda Mandelstam fez das duas epígrafes que anunciam as suas memórias, os seus “apontamentos” que, felizmente, perduraram para que se soubesse. A........
