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O risco e o prazer de brincar com as palavras

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25.04.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Tenho notado que quem leva as palavras muito a sério acaba, inevitavelmente, brincando com elas. Quem vive das palavras, ou ao menos dedica alguns minutos diários à sua contemplação, não consegue evitar o impulso de jogar com elas. Desmontá-las, remontá-las, trocar letras, inverter sílabas, numa brincadeira que pode levar a resultados inesperados – embora nem sempre apreciados, como veremos.

Mesmo os escribas mais sóbrios e realistas, pouco inclinados à prosa ornamental, correm o risco de ceder a essa tentação. O mesmo se pode dizer dos pragmáticos, como os publicitários, que, por dever de profissão, buscam nas palavras formas de seduzir as pessoas a adquirir seus produtos. Por mentes assim foram criados os nomes-fantasia “Supermercláudio”, “Scarpe Diem”, para uma loja de calçados, “Al Freddo”, para uma sorveteria, “Marlon Branding”, para uma agência de marketing, “Senhor dos Pastéis” e “Engenheiros do Açaí” para duas lanchonetes. A instabilidade da língua é um manancial de criatividade........

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