Quando a luz diminui
Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Leia os artigos que quiser, até ao fim.
Com uma assinatura PÚBLICO tem acesso ilimitado a todos os conteúdos e cancela quando quiser.
O eclipse começou lentamente. Primeiro, quase nada. Um pequeno entalhe na perfeição do disco solar. Um detalhe que passaria despercebido para quem estivesse ocupado demais para olhar para o céu. Quem sabe seja assim que começam todas as transformações importantes. Não com estrondo. Com uma pequena sombra.
Enquanto observava a Lua avançar sobre o Sol, pensei em quantos seres humanos, ao longo da história, levantaram os olhos e sentiram o mesmo misto de fascínio e inquietação. Hoje, conhecemos a mecânica celeste. Sabemos calcular eclipses com precisão. Sabemos que a Lua continuará seu percurso e que a luz retornará.
Mas durante grande parte da história da humanidade não era assim. O eclipse era uma ruptura da ordem. Entre os povos mesoamericanos, podia significar uma ameaça ao equilíbrio cósmico. Na China antiga, dizia-se que um dragão devorava o Sol. Na Europa medieval, eclipses eram frequentemente associados a advertências divinas,........
