A erudição desumana
No Émile, ou de l'Éducation (1762), Rousseau escreveu uma das minhas phrases de chevet preferidas: “Grâce au ciel, nous voilà délivrés de tout cet effrayant appareil de philosophie: nous pouvons être hommes sans être savants.” Falava da consciência moral, de sermos plenamente humanos sem necessitar do aparato da erudição: podemos ser homens sem sermos eruditos. Costumo voltar a esta frase em outros contextos e pensei nela durante a desoladora polémica em torno de Jason Arday, o “mais jovem professor negro de Cambridge”, que uma campanha de assédio e ódio criminosa levou à morte.
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Arday foi, tanto pelos detratores como pelos defensores, vítima da injunção à perfeição decretada às pessoas negras e a todas as que se considera deverem ficar à margem de qualquer poder. Se saem do seu lugar “natural”, têm de ser irrepreensíveis; senão, serão exemplarmente castigadas. Não precisei de muito tempo........
