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Mulheres conservadoras? Uma ova!

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É triste ter de começar um texto com um disclaimer, avisando que vou recorrer à ironia, uma figura de estilo que, até há pouco tempo, dispensava manual de instruções, mas os tempos parecem exigi-lo.

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Estou felicíssima com o aparecimento de um grupo de mulheres conservadoras que afirma orientar-se por valores cristãos, embora, logo numa das primeiras publicações, se apresse a desfazer um alegado mito: “As conservadoras querem impor as suas crenças religiosas a toda a sociedade.” A verdade, esclarece o movimento, é outra: “O conservadorismo é uma tradição política, não uma religião.”

Fiquei pensativa durante alguns segundos, mas depois surgiram os vídeos com grandes planos da Bíblia, as sucessivas referências aos “valores cristãos” e as mensagens sobre o “propósito em Deus”. Respirei de alívio, afinal, estava tudo esclarecido e a empatia, o humanismo e o respeito pelo próximo, tão presentes nos ensinamentos de Cristo, terão quem os defenda e traduza em gestos concretos junto de quem mais precisa, sobretudo das pessoas que a sociedade empurra para as margens. E que maravilha encontrarmos vozes brasileiras, num país que importa do Brasil a cartilha conservadora com a mesma facilidade com que reduz as brasileiras, mal lhes ouve o sotaque, à sensualidade fácil e à prostituição.

São Paulo não conheceu as redes sociais, mas numa epístola tradicionalmente atribuída ao apóstolo e dirigida a Timóteo, seu discípulo e colaborador, determina-se que a mulher aprenda em silêncio e com toda a submissão. Logo a seguir, o texto vai mais longe: não lhe permite ensinar nem exercer autoridade sobre o homem. Vistas as coisas, uma mulher conservadora que prega nas redes sociais começa o apostolado em franca desobediência.

Noutras passagens bíblicas, a presença feminina no espaço público também não é propriamente celebrada como antecipação histórica do empoderamento. Dois mil anos depois, porém, há uma novidade teológica importante: a mulher deve permanecer firme nos........

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