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Crónica de um país mal aquecido

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11.02.2026

Há um frio que não vem nas previsões meteorológicas, principalmente quando se debitam as temperaturas, sem as sensações térmicas que denunciam que viver em Lisboa não é o mesmo que viver em Celorico da Beira. O frio entra pelas frinchas das janelas antigas, instala-se nos corredores compridos, sobe do soalho húmido e fica a escorrer nos mosaicos e azulejos. Não há madeiras nem soalho flutuante. Alguns tapetes de farrapos tentam trazer a ideia de calor à casa. E para os que podem há um ventilador comprado no Lidl, tão barato quão dispendioso na hora de pagar a luz.

É, pois, nesta altura do ano que o orçamento das famílias mais se ressente. A fatura da eletricidade aproxima-se dos 200 euros, empurrada por escalfetas e outros equipamentos que fazem o contador correr à velocidade da aflição. Casas mal-acondicionadas, sem isolamento térmico, sem aquecimento central, norma silenciosa em vastas zonas do país, sobretudo no interior. Para muitos idosos, a braseira e o cobertor elétrico continuam a ser companhia e um risco. A lareira em muitas casas está apagada, porque um trator de lenha ultrapassa os 300 euros; e a idade já não permite ir ao mato, no verão, garantir o inverno.

Quem conhece estas casas geladas a fundo são os enfermeiros e as enfermeiras do apoio domiciliário e os profissionais da assistência........

© PÚBLICO