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Câncer colorretal: o alerta que ainda não ressoa como deveria

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18.02.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

O câncer colorretal, que inclui tumores da parte final do intestino, ocupa uma posição de destaque nas estatísticas de saúde em todo o mundo. Globalmente, são estimados quase 2 milhões de novos casos por ano, sendo responsável por cerca de 935 mil mortes, o que o coloca como um dos tipos mais incidentes e letais de câncer.

Uma característica preocupante é o aumento da incidência em adultos mais jovens, particularmente nas faixas etárias dos 30 aos 49 anos. Estudos epidemiológicos internacionais, que incluem dados europeus, mostram que a incidência de câncer colorretal tem aumentado de forma constante em pessoas abaixo dos 50 anos, com taxas de crescimento anual mais marcantes nas idades mais baixas. Entre adultos dos 30 aos 39 anos, houve um aumento de 5% na incidência de câncer colorretal desde 1990, enquanto entre os 40 e 49 anos o aumento foi de 13%.

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No Brasil, análises regionais e curvas de tendência confirmam que a incidência em adultos jovens também está em ascensão, com um crescimento absoluto da doença em pessoas com menos de 50 anos de cerca de 1,9 % a 2,2 % ao ano, e um aumento relativo de mais de 35 % em um período de cinco anos, com idade média de diagnóstico em torno dos 42 anos.

Esses números são particularmente relevantes porque uma proporção considerável de casos em adultos jovens é diagnosticada em estágios avançados (III e IV), quando as opções terapêuticas são mais limitadas e os desfechos menos favoráveis.

No entanto, o câncer colorretal frequentemente apresenta sinais sutis que podem ser confundidos com condições benignas. A presença de sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, mudanças no formato das fezes, anemia por deficiência de ferro sem causa aparente, perda de peso inexplicada e dor abdominal crônica são alguns dos indícios que merecem investigação médica imediata. Esses sintomas, quando ignorados ou atribuídos a outras causas, podem atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de cura.

A prevenção e o diagnóstico precoce são ferramentas comprovadamente eficazes para reduzir a mortalidade por câncer colorretal. Programas de rastreamento populacional baseados em testes como o teste imunológico fecal e a colonoscopia permitem detectar lesões pré-cancerígenas ou câncer em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores.

Em Portugal, o rastreio organizado direcionado a pessoas de 50 a 74 anos tem contribuído para estagnar a mortalidade nessa faixa etária, embora a discussão sobre a expansão da faixa de rastreio para idades mais jovens esteja em curso.

No Brasil, apesar de não existir um programa de rastreio nacional de base populacional com cobertura ampla, recomenda-se a realização de exames a partir dos 50 anos, ou mais cedo em indivíduos com histórico familiar ou fatores de risco associados.

A crescente incidência em adultos mais jovens reforça a urgência de ampliar a conscientização pública e clínica sobre este câncer, e a necessidade de políticas de saúde que facilitem o acesso ao rastreamento e diagnósticos precoces.

A mensagem que queremos deixar é clara: o câncer colorretal pode ser prevenido e tratado com mais sucesso quando detectado cedo. Ignorar os sinais ou adiar exames pode custar vidas. A sociedade tem a ganhar com um esforço conjunto de educação, discussão sobre rastreamento mais precoce e acesso equitativo a cuidados oncológicos.


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