Identidade de género não é um problema médico
Não tenho qualquer dúvida sobre o assunto. A identidade de género não é um problema médico.
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O conceito moderno de género, enquanto realidade distinta do sexo, ganhou expressão nas décadas de 1950 e 1960, sobretudo com John Money e Robert Stoller. Procurava caracterizar dimensões psicológicas e comportamentais do indivíduo que não tinham, necessariamente, de corresponder aos padrões associados ao seu sexo.
Nem todos os homens correspondem integralmente ao que culturalmente convencionámos como masculino, nem todas as mulheres correspondem ao que culturalmente convencionámos como feminino. Há nuances, emoções e formas de expressão que não obedecem a essa dicotomia. É precisamente por isso que somos indivíduos, sendo essa individualidade patente na singularidade de cada um de nós.
Na expressão dessas dimensões podem existir tendências resultantes de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. No fim, cada pessoa expressa-se como sente e entende. Chama-se a isso liberdade. E não há nada na liberdade de cada um que, por si só, faça dela um assunto médico.
Este conceito seria mais tarde aplicado às ciências sociais e ao pensamento feminista por Ann Oakley, em Sex, Gender and Society (1972), onde se distinguia o sexo, relacionado com as diferenças biológicas entre macho e fêmea, do género, relacionado com a construção social e cultural do masculino e do feminino.
Esta formulação retomava uma intuição já presente em Simone de Beauvoir que, em O Segundo Sexo, publicado em........
