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Venceremos as nossas eleições...

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04.10.2026

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A partir do panfleto de um prédio no centro de São Paulo e de uma aula de linguística, uma reflexão crítica sobre as armadilhas do uso do “nós” na propaganda eleitoral – e nas urnas. O que cabe (e o que fica de fora) quando falamos “nossos interesses”.

“Quer conhecer o nosso empreendimento?” O rapaz sorridente me oferece um panfleto que eu educadamente rejeito. Mais um prédio aqui na região do centro de São Paulo. Provavelmente, mais uma torre com apartamentos de 20 m2 que incluem até varanda para a primeira moradia ou investimento. Investimento aqui quer dizer brincar de hotel em hospedagens por aplicativo. Esses prédios pululam agora por todos os lados e, tantas vezes, desviam a atenção dos reais problemas de habitação. Mas, na pressa que eu levava comigo, apenas me ficou o “nosso empreendimento” na cabeça. Nosso, de quem?

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Lembrei-me de um artigo de José Luiz Fiorin que li na faculdade sobre os muitos sentidos do pronome da primeira pessoa do plural. O “nós” não é simplesmente o plural de “eu”: é a combinação de um eu com algum outro. E é justamente aí que a coisa fica interessante visto que nem sempre esse “outro” será a........

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