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Tenho muito orgulho da democracia brasileira

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Os brasileiros crescemos com os olhos postos na esperança. Dizem-nos desde cedo que somos a nação do futuro. Mas, se os nossos olhos enxergam, com alegria e gingado, um porvir de felicidade, eles sempre se esbarram nos países que vivem o presente. Há sempre um modelo de sucesso e de civilização que está vivendo, no presente, o futuro que nos foi prometido. Países mais modernos, mais avançados, mais cultos: em suma, países mais. O que faz que o ser brasileiro seja um ser menos. Eis o nosso fado: olhar para o futuro no presente dos outros.

Como filho de imigrantes, vivi essa contradição de um modo ainda mais complexo. A Europa era o marco a alcançar: onde tudo era melhor, onde estava o modelo de educação que, como brasileiros, nunca alcançaríamos. Era contraditório que meus pais tivessem vindo para o Brasil, não simplesmente para ter uma vida melhor, mas para ter dignidade. A Europa da qual eles tinham vindo, parecia não existir. Era uma outra Europa aquela em que a modernidade que se impunha sempre como óculos pelo qual enxergávamos o futuro brasileiro que viria um dia. Em outras palavras, no futuro, o Brasil estava fadado a ser uma Europa dos trópicos.

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A ideia não é nova, é verdade. E tampouco se circunscreve ao Brasil. Toda a América Latina, em diferentes proporções, almejava ser um país europeu do outro lado do Atlântico. Talvez seja essa uma das mais........

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