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Precisamos falar do Vini Jr.

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22.02.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Um café, um papo de anjo e amigos faz a vida ganhar um sentido maior. Esses momentos dão-nos a certeza de que a humanidade é boa e está destinada a ser feliz. Tudo se fala ao café e alguém comenta, a dado momento, não sei mais por que motivo, que tudo é argumentável, mesmo uma mentira. E é fato, algo poder ser muito bem argumentado não garante que seja verdade, como bem se deram conta os sofistas há 2500 anos. O ilustre escritor brasileiro José de Alencar tinha, no século XIX, argumentos muito fortes para justificar a escravidão no Brasil. Argumentos que visavam, segundo ele, sobretudo ao bem dos escravizados. Dito isso, muitas argumentações que correm soltas por aí, ainda mais em época tão tecnológica como a nossa, valem mais pelo que elas dizem sobre aquele que argumenta do que sobre o que se procura defender ou atacar.

É neste contexto que julgo importante falarmos – ainda e muito – sobre o que sucedeu ao Vini Jr. O episódio é bem sabido, mas em síntese, ocorreu que o Vini Jr. marcou um golaço e depois houve um mal-estar entre os jogadores do Benfica e do Real Madrid, que teve seu ápice com a acusação que o jogador brasileiro fez a um adversário de injúria racial. O árbitro ativou o protocolo antirracismo e o caso ganhou uma dimensão enorme e o desenrolar dos fatos ainda promete muitos capítulos. Terá ou não o jogador do Benfica, que se dirigiu ao Vinicius com a camiseta a lhe tapar a boca, dito o que o brasileiro afirma e o Mbappé diz ter ouvido?

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Até aí foi, de modo muito resumido e com todos os problemas que as sínteses trazem consigo, o que ocorreu. Não vou me debruçar sobre quem tem a razão, mas sobre as reações de quem argumentou a favor do Benfica. De modo especial, no calor dos acontecimentos, o coração fala mais alto e diz coisas que podem assustar porque revelam muito daquele que se esconde no nosso íntimo. E assustaram-me, honestamente, nem sei bem por quê. Talvez porque eu insista em desejar um mundo caracterizado pelos valores que me ensinaram e nos quais acredito: que as pessoas são iguais e que merecem ser respeitadas na sua própria........

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