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Perdão para uma cultura chamada brasileira

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26.07.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

O Brasil está na moda. As marcas de exuberância, pluralidade e acolhimento informal, que são atribuídas ao ser brasileiro, ganham o mundo. A culinária brasileira, por exemplo, que já foi vista com desdém, hoje conquista espaços impensáveis há pouco mais de vinte anos. E se estamos em uma fase em que o futebol pouco nos está representando, o fato é que tampouco está fazendo falta. Sem dúvidas, é grande a lista de conquistas dessa cultura que nasce quase que por decreto, como um projeto de Estado, fadada a ser a Europa tropical, mas rapidamente se vê mestiça e excludente, para em seguida se assumir subversiva e carnavalizadora.

A cultura brasileira é um campo de forças em movimento, onde muitos agentes, com poderes e repertórios com pesos e valores diferentes, negociam sentidos todos os dias, sem que nenhum deles tenha — ou deva ter — a palavra final. É um espaço de tensões em que as pessoas buscam, pela conveniência, a uniformidade que sabem de antemão nunca encontrar. A esse jogo de disputas, soma-se uma característica muito forte que é a valorização, quase sempre exagerada, da opinião do olhar estrangeiro.

Querer ser conhecido e reconhecido como original e uniforme, de um modo que cause admiração ao estrangeiro e que solucione numa equação a nossa identidade, está fortemente entrincheirado nessa cultura que, em parte, herda essa necessidade da alma lusitana.

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Desse caldo complexo, de um país que traz na sua composição povos originários, europeus, africanos e muitas outras ascendências que chegam em momentos diferentes da história e com status quase sempre contraditórios (escravos, senhores, aventureiros, catequizadores, imigrantes etc.) nascem culturas que precisam aprender a se verem como unidade.

Unidade, porém, não pode ser uniformidade. A cultura brasileira é uma construção que se transforma constantemente, em que o local e o nacional vivem em tensão permanente: são tão........

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