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Os valores cristãos europeus à espera de uma ressurreição

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05.04.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Neste feriado de Semana Santa, vim com uns amigos para o interior de São Paulo. Churrasco, rio, piscina, caipirinha, conversas ao léu e chuva na Sexta-Feira Santa. Alguém antecipou o meu comentário e já disse: “sempre chove na Sexta-Feira Santa”. Ninguém aqui é particularmente praticante de uma religião. O cristianismo, contudo, está na base cultural de quem somos. Toma forma nas palavras que empregamos, no modo de pensar e de ver o mundo.

O discurso religioso modela a língua portuguesa. Constrói uma discursividade das mais significativas, que estrutura o uso cotidiano do português, criando uma camada discursiva que persiste mesmo nos mais variados contextos. Aparece desde as interjeições, como “nossa!”, até às referências que temos do que sejam tentação, pecado e redenção, por exemplo.

Em 25 de março de 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que declarou o tráfico transatlântico de africanos escravizados e o processo de escravização consequente desse tráfico como o mais grave crime contra a humanidade. A votação final teve 123 Estados-membros a favor, três contra e 52 abstenções, incluindo Portugal, Espanha e todos os demais países da União Europeia. Um silêncio sepulcral de morte que diminui em muito o discurso que alimenta essa entidade de defesa dos princípios de justiça e igualdade.

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A ideia defendida é que o tráfico de africanos escravizados tal como foi feito rompeu profundamente a história humana com consequências que se fazem ver até hoje. É muito ingênuo diminuir a........

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