Avaliação de professores: sair do abismo
O balanço da avaliação de desempenho docente dos professores dos ensinos básico e secundário (ADD) é redondamente negativo para os professores, para as escolas, para os estudantes e para a sociedade. O tema é bastante complexo e sistémico e estou consciente da ousadia em tratá-lo em poucas linhas, mas atrevo-me a elencar alguns itens relevantes:
Da cooperação para a competição
Os professores mais antigos, em particular, têm memória de outros tempos em que a cooperação docente simplesmente acontecia... e era natural. O atual sistema de avaliação, viciado nas suas mais profundas contradições, trouxe progressivamente um ambiente corrosivo na maioria das salas dos professores, que, obviamente, se projeta negativamente em toda a dinâmica educativa. E se alguma artificialidade menos virtuosa da avaliação, para evitar fraturas, resolve avaliar todos maximamente, parecendo tapar o sol com a peneira, a existência de quotas e de congelamentos de carreira dão o tiro fatal. As feridas abertas deram lugar a uma competição estéril, que feriu o corpo docente. Em química usamos o termo tóxico para as doses excessivas, tantas vezes letais. O que posso dizer sobre ADD, por exaustão, é que se tornou tóxica e não tónica.
Posar para a fotografia
Um dos resultados da avaliação docente, indesejável que seja, é uma certa teatralidade da função docente. Começou a ser demasiadamente importante a imagem dos professores e, para ter boa avaliação, mesmo que sem consciência nem intenção deliberada, os gestos pedagógicos foram-se artificializando. A avaliação mal tomada tem o enorme perigo de valorizar o folclore e o espalhafato. A necessidade de evidências e em muitos casos evidências com potencial métrico, foi capaz de gerar muita comédia e tragédia e, em muitos casos, uma autêntica inversão dos mais internos e profundos valores. A um determinado ponto, em caricatura avaliativa, um professor que quisesse ser excelente na avaliação, haveria de se........
