O Chega quer limpar o país. Mas quem limpa o Chega?
“Facta, non verba”, diziam os sábios latinos – “acções, não palavras”. Que é como quem diz: tu podes ter um discurso muito lindo e proclamar princípios muito ambiciosos, mas o que conta para avaliar o que realmente vales é a qualidade das tuas acções. Esta máxima é útil para tudo, desde o modo como educamos os nossos filhos à forma como nos posicionamos na vida pública. E é por isso que o crescimento do Chega, e a proliferação de lugares de poder à sua disposição, é simultaneamente uma bênção e uma maldição. Uma bênção, porque sem poder a política vale zero, e Ventura tem grandes ambições para si próprio. Uma maldição, porque quando se salta do discurso para a acção torna-se muito evidente que a esmagadora maioria dos quadros de que o Chega dispõe é uma absoluta miséria, que envergonha o partido que se propõe “limpar Portugal” – ao mesmo tempo que se mostra incapaz de limpar a sua própria casa.
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