E se o cristianismo estiver de novo a ficar na moda?
Em 2008, no pico de popularidade do movimento do Novo Ateísmo, já depois da publicação do livro de Richard Dawkins A Desilusão de Deus (2006) e de Deus Não é Grande, de Christopher Hitchens (2007), um grupo de ateus ingleses juntou-se para patrocinar uma famosa campanha nos autocarros de Londres. Nela se lia: “Provavelmente Deus não existe. Pára de te preocupar e aprecia a vida.” Dawkins doou 5500 libras para essa campanha, e Paul Woolley, director de um think tank cristão muito próximo do Arcebispo da Cantuária, doou 50 libras, por entender que a iniciativa era “uma óptima forma de pôr as pessoas a pensar em Deus”. Os cristãos ingleses não tinham perdido o sentido de humor, mas o cristianismo ocidental parecia ter definitivamente perdido a batalha da secularização – crer já não era cool; a fé era um resquício obscurantista apenas cultivado por aqueles que não percebiam nada de ciências e não sabiam “apreciar a vida”.
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