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O poder de errar

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04.06.2026

Quando o meu filho tinha dez anos e soube que ia ter uma irmã, reagiu com entusiasmo: “Boa, já vou ter em quem mandar!” Era o mais novo da família e talvez se sentisse como o “mandado” da casa. Ao perceber que vinha alguém depois dele, sentiu, talvez pela primeira vez, o gostinho do poder de mandar. Mandar em nós e nos outros.

O poder de mandar mede-se em autonomia, mas também nos cargos e carimbos que nos permitem mandar nos outros. Há, depois, o poder de comprar, medido em saldo bancário, e o poder de seduzir, que se mede em olhares, sorrisos, silêncios calculados e, nesta era digital, em likes e emojis. A lista de “poderes” é interminável: o de falar mais alto, de ter (ou de querer ter) sempre razão, de decidir quando começa e quando termina uma conversa, uma relação, uma viagem e uma carreira de sucesso ou de fracasso. Somos uma espécie obcecada pelo poder, sejam grandes ou pequenos poderes. Quem já ficou à espera de que o porteiro de um bar lhe concedesse o privilégio de entrar ou que a senhora........

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