O que as guerras revelam sobre o potencial da energia renovável
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Desde o início da Guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo ultrapassou 100 dólares, o nível mais elevado desde 2022, com fortes oscilações. Esse quadro de extrema instabilidade tem consequências diretas na economia mundial, o que causa um efeito inflacionário e mostra o quanto ainda dependemos dos combustíveis fósseis.
A instabilidade do setor energético não é novidade. Desde o início das civilizações modernas, as disputas pelo acesso a recursos e combustível são peças-chaves em questões geopolíticas. A crise do petróleo no Oriente Médio dos anos de 1970 teve um papel de alerta importante para a fragilidade da ordem econômica.
Em resposta a esta ameaça, os Estados Unidos e a Europa começaram a investir em energias alternativas para progredir em direção à independência energética. Em 1979, o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, instalou os primeiros painéis solares na Casa Branca, enquanto a França, em 1980, deu início ao plano Messmer, e construiu oito plantas de energia nuclear que contribuem para o abastecimento energético do país até hoje.
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A guerra na Ucrânia também mostra a importância do acesso à energia. Com os ataques constantes à infraestrutura energética na Ucrânia nos últimos quatro anos, o governo tem encorajado a busca por alternativas. Na cidade portuária de Mykolaiv, 26 novos painéis solares com baterias foram instalados no telhado do centro urbano de reabilitação para crianças e pessoas com deficiência, o que permitiu a prolongação do acesso à energia por 32 horas.
É evidente que essas soluções pontuais não conseguem abastecer um país inteiro e não resolvem o problema a longo prazo, mas servem para mostrar o potencial de sistemas descentralizados e autônomos como alternativas viáveis para navegar em crises como a que estamos a atravessar.
Embora a adoção de energias alternativas seja expressivamente mais ampla do que se tinha nos anos de 1970, a transição energética segue em ritmo reduzido nos últimos anos, devido a uma série de fatores. Entre eles, o alto preço de investimento em novas tecnologias e o aumento da procura por energia elétrica — impulsionados pelos avanços na tecnologia de inteligência artificial e o crescimento populacional.
A história nos mostra que é nas grandes crises que inovações se desenrolam e a resiliência ganha mais espaço. Esperemos que este novo susto traga investimentos contínuos e a longo prazo para resolver a intermitência das renováveis, baratear a descentralização de sistemas energéticos e aumentar o leque de possibilidades de acesso à energia. Episódios como o conflito no Oriente Médio nos fazem lembrar que a transição energética caminha lado a lado com a segurança energética.
