Ébola, nem por egoísmo olhamos para África
Este texto mistura vários temas que fazem sentir. A paixão pelo humanitarismo, a preocupação pelas vidas dos mais vulneráveis, o egoísmo do Ocidente que chega a ser estúpido, o mal que Israel e EUA têm feito ao mundo, o meu carinho pelo Congo e pelos congoleses, e os perigos da ignorância e desinformação médica.
Eu estava em missão no Congo, em 2018, quando uma epidemia de Ébola virou do avesso esta mesma região que é agora, novamente, o epicentro do problema. Estávamos bastante ocupados com feridos de guerra de todos os tamanhos e feitios, quando começam a soar os alertas de Ébola nas notícias. Medo, puro medo. É um aperto no peito, misturado com um suster da respiração que sentimos, quando se antecipa dar de caras com este bicho-papão. Não há heróis. Todos tremem.
Como estávamos numa missão essencialmente de índole cirúrgica, o meu chefe achou que eu era a pessoa indicada para estudar o assunto, e fazer uma formação para todo o staff do hospital. Eu não tenho medo de nadar sem pé, mas também não finjo saber o que não sei. Ao falar do que acabara de estudar à pressão em dois dias, parecia ter uma tranquilidade na exposição do tema, que não tinha. Repeti a formação, umas três ou quatro vezes para abranger todo o staff, e mais do que muitas perguntas, o medo pairava pelas paredes do hospital. Qualquer febre de quem tenha viajado deste ou daquele lugar pode ser........
