Edgar Morin, um amigo que não esqueço...
Sou testemunha de um compromisso cívico extraordinário. Edgar Morin viveu até ao último minuto sem descanso. Atento à realidade do mundo, preocupado com as condições em que vivemos de guerra latente e de recusa de compreensão das diferenças, quis no limiar dos 105 anos homenagear Portugal e os seus grandes amigos António Alçada Baptista e Helena Vaz da Silva. Por isso, propôs que publicássemos um pequeno livro onde ficasse claro o reconhecimento pelo empenhamento dos portugueses na construção da democracia. Prometi-lhe que o faria e houve um contrarrelógio posto em prática. Finamente, graças a um conjunto de boas vontades, pudemos publicar no início deste ano O Esplendor das Amizades – A Experiência Portuguesa de Edgar Morin (Gradiva/Guerra e Paz), por ocasião dos 80 anos do Centro Nacional de Cultura. Quando recebeu o livro impresso em condições de chegar ao público, Edgar Morin saudou com grande alegria a obra. Quando Ana Barbosa lhe entregou em mão o livro, em Paris, o pensador exprimiu a genuína alegria de quem se sentia profundamente ligado ao processo........
