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Agricultura em crise: quando o Governo prefere os números às pessoas

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10.06.2026

Há crises que expõem escolhas. A escalada dos preços do gasóleo, da eletricidade e dos fertilizantes, desencadeada pelo conflito no Irão e pela instabilidade crescente no estreito de Ormuz, desde o início de 2026, é uma delas. Para os agricultores portugueses, que já suportavam margens esmagadas e um rendimento muito baixo, quando comparado com as restantes profissões, o choque foi brutal: o gasóleo agrícola subiu 30% em menos de três semanas, a ureia duplicou de preço, e o nitrato aumentou mais de 20%. Os fertilizantes representam 30 a 40% dos custos de produção numa exploração agrícola típica. O gasóleo é responsável por cerca de 70% da energia consumida no setor.

Perante isto, o Governo de Luís Montenegro anunciou um pacote de cerca de 30 milhões de euros. É pouco. E vem tarde.

O que fez o governo anterior — e os números falam por si

Importa estabelecer o ponto de comparação com rigor. Quando a guerra na Ucrânia fez disparar os custos agrícolas em 2022 e 2023, o governo do PS respondeu com 317 milhões de euros em apoios extraordinários efetivos, mobilizados em menos de dois anos. A decomposição é clara:

137 milhões de euros na medida excecional e temporária de compensação pelo acréscimo dos custos de produção agrícola e pecuária — a maior medida de apoio direto ao rendimento alguma vez implementada em Portugal neste âmbito, aprovada pela Comissão Europeia ao abrigo do Quadro Temporário de Crise da UE;

57,1 milhões de euros via medida excecional FEADER, divididos........

© PÚBLICO