Sem dados científicos que justifiquem desclassificação do lobo, a UE cede à política
Em 2025, a União Europeia (UE) reduziu o estatuto de proteção do lobo (Canis lupus) ao abrigo da Directiva Habitats — a primeira vez, nos 33 anos desta legislação, que uma espécie sofreu um retrocesso de proteção. A medida foi apresentada como um sucesso: segundo a Comissão Europeia, o número de lobos quase duplicou numa década.
No entanto, a legislação da UE não aceita o crescimento populacional por si só como prova de recuperação. Pelo contrário, exige que os números, a área de distribuição e o habitat se mantenham estáveis ou melhorem a longo prazo, o que deve ser verificado através de dados científicos sólidos e não por via de uma decisão puramente política.
A proposta da Comissão, apresentada em Dezembro de 2023, baseou-se sobretudo num relatório elaborado por uma empresa de consultoria privada contratada e paga pela própria instituição. Aliás, a própria publicação esclarece que o documento não reflete "senão as opiniões dos seus autores".
Nunca submetido a revisão científica por pares (peer-review), o relatório não recomenda, por si só, a redução do estatuto de proteção. Limita-se a compilar os dados enviados pelos próprios Estados-membros, evidenciando que o estado de conservação favorável é declarado apenas por uma minoria de países e para uma minoria de populações de lobos. Ainda assim, a decisão política avançou como se as provas apontassem na direção oposta.
Acresce que não existe uma população de lobos uniforme a nível europeu. Os cientistas reconhecem, pelo menos, nove subpopulações geneticamente distintas em toda a UE — algumas........
