Da Farmácia à Medicina: o que muda, quando mudamos também?
Mudar de profissão nunca é, apenas, mudar de profissão. É um processo mais profundo, quase íntimo, onde revemos crenças, abrimos espaço para dúvidas e reconstruímos aquilo que julgávamos definitivo. Quando passei de farmacêutico a, novamente, estudante, percebi, rapidamente, que a mudança não foi, apenas, académica — foi pessoal.
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Sou alentejano, de uma cidade raiana portuguesa. Elvense de coração, cresci a ver a vida acontecer devagar, ao ritmo certo, com a simplicidade que só as cidades ditas pequenas conhecem. Durante dois anos, trabalhei numa farmácia comunitária desta cidade — a mesma onde conhecia utentes pelo nome, onde os vizinhos se tornavam parte da rotina e onde, entre atendimentos, fui percebendo que ser farmacêutico já não me preenchia. A rotina tornara-se demasiado confortável. E a zona de conforto pode, subtilmente, aprisionar-nos. A vida pode tornar-se demasiado pequena, quando deixamos de crescer dentro dela. Foi, então, que a pergunta que mais me assustava começou a ganhar........
