Entre chips, nuvens e exércitos: a nova disputa pelo poder digital
A semana que terminou a 2 de maio de 2026 confirma uma mudança que já não pode ser tratada como promessa distante, porque a tecnologia tornou-se uma infraestrutura de poder. A inteligência artificial, os semicondutores, a computação em nuvem e os centros de dados deixaram de ser assuntos fechados nos departamentos técnicos das empresas. Estão agora no centro da defesa, da economia, da regulação, do trabalho e da vida quotidiana.
O sinal mais delicado veio dos Estados Unidos. O Pentágono celebrou acordos com sete empresas tecnológicas (Google, Microsoft, Amazon Web Services, Nvidia, OpenAI, Reflection e SpaceX) para usar sistemas de inteligência artificial em redes militares classificadas. Segundo a Associated Press, o objetivo é apoiar a tomada de decisão em contextos operacionais complexos, incluindo vigilância, logística, manutenção e identificação de alvos. A mesma notícia sublinha, porém, preocupações éticas como o excesso de confiança nas máquinas, vigilância indevida e eventual aproximação a decisões autónomas em cenário de guerra.
Esta é uma fronteira particularmente sensível. Quando a IA entra na defesa, a discussão deixa de ser apenas sobre eficiência. Passa a envolver responsabilidade, controlo humano e legitimidade democrática. Uma ferramenta capaz de resumir informação, reconhecer padrões ou acelerar decisões pode salvar vidas. Mas também pode reduzir o tempo de reflexão, tornar a distância moral mais confortável e transferir para sistemas opacos uma parte da autoridade que deveria permanecer humana.
A segunda linha de tensão vem da China. A Reuters noticiou que a Huawei espera aumentar em pelo menos 60% a receita dos seus chips de inteligência artificial em 2026, impulsionada pela procura interna e........
